O PDI no Qubex: 70-20-10 é peso, não cota

Entender como o Qubex organiza um Plano de Desenvolvimento Individual — e por que ele mostra dois números em vez de uma barra de progresso só.

A conta que quase todo mundo faz está invertida #

A régua natural para um plano é “ações concluídas dividido pelo total”. Ela tem um problema que só aparece quando você olha dois planos lado a lado.

Um colaborador fez três cursos dos quatro que combinou. Outro liderou um projeto e ainda não terminou os três cursos dele. Pela contagem, o primeiro está em 75% e o segundo em 25% — e a conclusão é que o primeiro se desenvolveu mais.

Qualquer gestor sabe que é o contrário.

É isso que a metodologia 70-20-10 descreve: a maior parte do desenvolvimento vem da prática (70%), depois da convivência — mentoria, feedback, pares (20%) — e por último do ensino formal, cursos e certificações (10%). Ponderando os mesmos dois planos por essa régua, o primeiro cai para 12,5% e o segundo sobe para 87,5%.

Não é um ajuste fino. A contagem ingênua não é imprecisa: ela é invertida.

Peso, não cota #

Uma leitura errada comum é achar que o plano precisa ter ações nas três faixas, ou que precisa respeitar a proporção 70-20-10 na quantidade.

Não precisa. 70-20-10 é peso, não cota. Um plano só com ações práticas é legítimo, e avança rápido. O que a metodologia diz é quanto cada tipo de ação vale no progresso — uma ação prática pesa sete vezes uma formal.

Por isso são dois números #

Ciclo de avaliação opcional — de onde vêm os gaps quando o plano nasce da avaliação PDI colaborador · gestor · período Objetivo 1 competência · nível atual → desejado Ação prática · social · formal 1 : N 1 : N a cada revisão Check-in congela o score do momento Progresso ponderado 70-20-10 Composição o plano contra a metodologia 70-20-10 é peso, não cota: no progresso, uma ação prática pesa sete vezes uma formal.

O Qubex mostra dois indicadores, e eles respondem perguntas diferentes:

  • Progressoquanto do plano atual está feito, ponderado por 70-20-10. É execução.
  • Composição do planocomo as ações estão distribuídas contra a metodologia. É qualidade.

O segundo é o que denuncia o plano bem-intencionado e fraco. Três ações em cada faixa parecem equilibradas e não são: dão 33% / 33% / 33% onde a metodologia pede 70 / 20 / 10. Um plano concentrado em cursos avança devagar mesmo quando os cursos terminam — e é melhor descobrir isso ao montar do que seis meses depois.

Os dois números do PDI no Qubex: o progresso ponderado 70-20-10 e a composição do plano contra a metodologia
O plano da esquerda está 69% feito. O da direita avisa que a distribuição das ações não segue a metodologia.

A forma do plano #

Lendo o diagrama:

  • O PDI é de um colaborador, conduzido por um gestor, com início e prazo.
  • Ele tem um ou vários objetivos. Cada objetivo é uma competência a desenvolver, com o nível atual e o nível desejado na escala de 1 a 5.
  • Cada objetivo tem as suas ações, e cada ação é prática, social ou formal.
  • Em paralelo correm as revisões — os check-ins, que é a parte que faz o plano viver.

Os níveis são um retrato do momento em que o plano foi feito. Eles não se atualizam sozinhos com a próxima avaliação, e é proposital: o plano precisa lembrar de onde a pessoa partiu.

De onde um plano nasce #

Dois caminhos, e os dois valem:

  • Do zero, quando o gestor já sabe o que quer desenvolver.
  • De uma avaliação de desempenho, aproveitando os gaps que ela já mediu — as competências em que a nota ficou abaixo do nível exigido pelo cargo. Nesse caso o plano guarda de qual ciclo veio. É a Matriz de Criticidade que ordena quais gaps merecem virar plano primeiro. O passo a passo está em Do gap ao plano.

O segundo caminho é o que fecha o ciclo: avaliar sem plano vira relatório, e planejar sem avaliar vira palpite.

Quem faz o quê #

  • O gestor conduz. É ele que monta o plano, registra as revisões e encerra.
  • O colaborador acompanha. Ele vê o próprio plano e não altera — o que protege o histórico sem esconder nada dele.
  • A aprovação é um fato registrado, não uma tranca. O sistema guarda a data em que o gestor aprovou e a data em que o colaborador concordou. Nenhuma das duas impede o plano de andar: elas documentam que houve conversa.

O que isso muda no seu negócio #

Um PDI em planilha vira arquivo morto em três meses, porque ninguém volta nele. Aqui o plano tem data de próxima revisão, e cada revisão deixa um número congelado — o que transforma “acho que a Fernanda evoluiu” em uma linha do tempo que dá para mostrar.

E o segundo número muda a conversa no momento de montar: em vez de discutir se o plano está bom, dá para olhar a composição e ver que ele é 90% curso.

Quando dá errado #

O progresso não sobe mesmo com ações concluídas. Provavelmente as concluídas são formais. Elas valem 10% — é a metodologia funcionando, não um defeito.

O progresso caiu de uma revisão para a outra. O plano cresceu: entraram ações novas e o denominador aumentou. Por isso cada revisão guarda o score e a contagem de ações daquele momento — sem o denominador, ninguém explicaria a queda.

Uma ação aparece como atrasada e eu não marquei nada. Atrasado não é um estado que se escolhe: é consequência do prazo ter passado com a ação em aberto.

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Atualizado em 28/08/2026