Despesas reembolsáveis: o que você paga pelo cliente

Entender como o Qubex trata o dinheiro que você adianta pelo cliente — custas, taxas, deslocamento, diligências — e como isso vira cobrança sem virar receita de serviço.

Repasse não é receita #

Quando o escritório paga uma guia de custas de R$ 780,00 pelo cliente e depois cobra os mesmos R$ 780,00, nada disso é faturamento. É dinheiro de passagem: entrou e saiu pelo mesmo valor.

É por isso que essa cobrança não sai em nota fiscal de serviço. Nota fiscal de serviço declara serviço prestado e recolhe ISS; um reembolso não é serviço e não tem ISS a recolher. A saída certa é a Nota de Débito — que numera, gera o título a receber e produz o PDF, sem passar pela prefeitura.

Misturar os dois é caro nos dois sentidos: pagar ISS sobre repasse é imposto a mais, e somar repasse à receita é margem que parece existir e não existe.

O grão: um comprovante, uma linha #

A regra que organiza tudo: cada comprovante vira uma linha, com um valor só.

Isso parece óbvio até você ver a planilha que a maioria dos escritórios usa, com colunas separadas para custas, deslocamento, cópias, diligência e correspondente. Na prática, cada linha tem uma dessas colunas preenchida — as outras ficam vazias. O Qubex assume isso desde o começo: o tipo da despesa é um campo, não uma coluna.

Uma diligência de R$ 120,00 e uma guia de custas de R$ 780,00 são dois lançamentos. Não existe “lançamento do mês” com várias despesas dentro. O agrupamento acontece depois, sozinho, no fechamento.

Duas decisões por despesa #

Toda despesa lançada responde duas perguntas, e elas são independentes:

  • De quem é? — o cliente que vai reembolsar.
  • Cobrar ou absorver? — nem todo gasto vira cobrança. O estacionamento de R$ 35,00 pode não valer a conversa com o cliente.

Quando você desmarca Cobrar do cliente, a despesa continua registrada e continua aparecendo nos relatórios — ela só não entra no fechamento. É o que o Qubex chama de absorvida: o escritório engoliu o custo, e o número fica visível em vez de sumir.

Nesse caso o campo de cliente pode ficar em branco (a lista mostra “Do escritório”), e quem responde “de onde saiu esse dinheiro” passa a ser o Centro de custo.

O caminho completo #

Despesa 1 comprovante = 1 linha não vai ser cobrada Absorvida custo do escritório Fechamento por cliente e período Competência valor travado Nota de Débito 1 linha por despesa Título a receber + PDF no Vault alguém adiantou do próprio bolso Fila de reembolso por pessoa Título a pagar para quem adiantou Os dois caminhos de baixo são independentes: uma despesa absorvida ainda pode ter quem reembolsar. Financeiro Comercial Faturamento Sem cobrança

Lendo da esquerda para a direita:

  • A despesa nasce no Financeiro, com o comprovante anexado.
  • Se está marcada para cobrar, ela espera o fechamento — que agrupa por cliente e por período.
  • O fechamento cria uma competência no pedido do cliente, com o valor travado na soma das despesas.
  • A competência sai como Nota de Débito itemizada: uma linha para cada despesa, com tipo, descrição e processo.
  • A emissão gera o título a receber e o PDF, guardado no Vault.
  • Em paralelo, e sem depender de nada disso: se alguém adiantou do próprio bolso, a despesa entra na fila de reembolso e vira um título a pagar para essa pessoa.

O que dá o resultado prático: o cliente recebe um documento com o detalhe de tudo, e o financeiro tem um título para cobrar.

Os dois lados do mesmo gasto #

Há um segundo campo que confunde à primeira vista: Quem adiantou.

São duas coisas diferentes e elas não se cancelam:

  • De quem é — quem vai me pagar. É a ponta da receita.
  • Quem adiantou — a quem eu devo. O advogado que pôs do próprio bolso, ou a correspondente de outra comarca que ainda vai emitir a nota dela.

Cancelar a cobrança do cliente não apaga o que o colega adiantou. São ciclos separados, com prazos separados — e o Qubex mantém a fila de quem tem a receber independente do faturamento: quem gastou do próprio bolso tem a receber mesmo nas despesas que o escritório resolveu absorver.

Essa fila tem tela própria e artigo próprio: Pagar quem adiantou do próprio bolso.

Quando o escritório paga direto — cartão da empresa, transferência — não há adiantamento de ninguém: o lançamento do Financeiro já existe e a despesa só aponta para ele.

Configuração #

Antes do primeiro lançamento, alguém com acesso de administrador precisa dizer ao Qubex quais produtos são despesa. Sem isso a tela de lançamento avisa que não há tipo configurado e não deixa seguir.

São quatro passos, feitos uma vez só:

  1. Crie o tipo de produto. Em Cadastros › Tipo produto, algo como “Despesa reembolsável”.
  2. Aponte a configuração. Em Contábil › Configurações › Financeiro, campo Tipo de produto das despesas, escolha o tipo que você acabou de criar. É esse campo que enche a lista da tela de lançamento.
  3. Crie as categorias. Em Cadastros › Grupo produto — Deslocamento, Custas e taxas, Diligência. É por elas que a tela de lançamento agrupa os botões.
  4. Cadastre os tipos de despesa. Em Suprimentos › Produtos, um para cada: Custas judiciais, Emolumentos de cartório, Quilometragem rodada, Advogado correspondente. Em cada um, marque o Tipo criado no passo 1 e o Grupo do passo 3.

Dois campos do produto mudam o comportamento da tela e vale conhecer:

  • Preço padrão — se estiver preenchido, a tela passa a pedir Quantidade e multiplica. É o caso da quilometragem: R$ 2,00 por km, você digita 84, o valor sai R$ 168,00. Se ficar em branco, a tela pede só o valor — que é o certo para custas e estacionamento, onde cada comprovante tem um valor diferente.
  • Natureza financeira (aba Fiscal) — é ela que classifica o título quando a Nota de Débito é emitida. Preencha. Um plano de contas que separa repasse de receita costuma ter um grupo próprio para isso (“Valores de terceiros”, “Reembolso e adiantamento de cliente”); é para lá que a despesa deve apontar. Se nenhum produto do fechamento tiver natureza, o Qubex barra a emissão com mensagem — em vez de deixar o título nascer sem classificação e sumir do relatório.

Comece pequeno #

Não tente mapear todos os tipos de despesa que o escritório já teve. Quatro ou cinco que cobrem o dia a dia bastam, e a lista é editável a qualquer momento. Categoria demais no começo só deixa a tela de lançamento mais lenta de usar — e ela é usada com pressa, entre uma audiência e outra.

O que isso muda no seu negócio #

Despesa que fica na planilha é despesa que se perde. O ganho não está em organizar melhor: está em cobrar o que hoje escapa e em parar de pagar imposto sobre dinheiro que só passou pela sua conta.

E como cada linha carrega o processo, a pergunta “quanto esse caso já custou” passa a ter resposta.

Quando dá errado #

A tela de lançamento diz que não há tipo de despesa configurado. Falta o passo 2 da configuração — o campo Tipo de produto das despesas em Contábil › Configurações › Financeiro está vazio.

Lancei a despesa e ela não apareceu no fechamento. Confira três coisas: se Cobrar do cliente está marcado, se o cliente foi preenchido, e se a data da despesa é anterior ao corte do fechamento. Despesa sem cliente não tem de quem cobrar.

O valor saiu multiplicado. O tipo escolhido tem Preço padrão preenchido e a tela multiplicou pela quantidade. Para despesas de valor variável, deixe o preço padrão em branco no cadastro do produto.

A emissão da Nota de Débito foi barrada por falta de natureza. Nenhum dos produtos de despesa daquele fechamento tem Natureza financeira preenchida na aba Fiscal.

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Atualizado em 27/08/2026